Ele Jurava que Era Amizade…

Alfredo era um homem simples, daqueles que a vida ensinou mais do que qualquer escola. Trabalhava como caseiro numa fazenda afastada, cercada por mato e silêncio. Tinha o rosto marcado pelo sol, as mãos grossas de tanto lidar com a terra, e os olhos de quem já viu o tempo passar devagar.

Um dia, enquanto limpava a frente do galinheiro, viu algo se mexendo entre as árvores. Era uma onça filhote. Arisca, mas curiosa. Não fugiu. Só observou.

Naquele dia, Alfredo deixou um pedaço de carne perto da cerca. No outro, também. A onça começou a voltar.

E assim foram semanas. Meses. Anos.

Ela cresceu. Ficou forte. Mas nunca rosnou pra ele. Apenas olhava, tranquila. E Alfredo acreditou… acreditou que havia criado um laço.

— “Ela me conhece. Me respeita. Não vai me fazer mal”, dizia rindo, enquanto enchia o bebedouro.

Os outros peões avisavam: “Bicho de mata nunca vira amigo.” Mas Alfredo se recusava a ouvir.

Certa manhã, o céu estava carregado. A neblina cobria o chão como véu. Alfredo saiu cedo para ver os bichos. A carne já estava na mão, como sempre.

Só que naquele dia, a onça não esperou.

Surgiu do mato, silenciosa e baixa. Os olhos fixos. O corpo, tenso.

Alfredo sorriu, estendendo a mão, como quem cumprimenta um velho conhecido.

Mas não houve tempo pra nada.

O instinto falou mais alto.

No meio do mato, só se ouviu um grito abafado… depois, silêncio.

Alguns dias depois, encontraram apenas pegadas, marcas no chão… e sangue seco.

REFLEXÃO FINAL:

Nem toda aproximação é afeto.

Algumas presenças só estão por perto esperando a hora certa para atacar.

Cuidado com quem você chama de amigo.

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